Jatene paga R$ 660 milhões para grupo gerir o hospital Abelardo Santos

14 de agosto de 2018 at 08:10

Jatene paga R$ 660 milhões para grupo gerir o hospital Abelardo Santos (Foto: Bruno Carachesti/Arquivo)

(Foto: Bruno Carachesti/Arquivo)

O Hospital Regional Dr. Abelardo Santos (HRAS), em Icoaraci, funciona há cinco anos em um prédio alugado, na travessa Itaboraí, 124, enquanto o Governo do Estado toca uma obra que parece nunca ter data para terminar e que teve todos os prazos descumpridos. Porém, a gestão administrativa do novo complexo, bem como o devido pagamento para quem vai administrá-lo, já estão garantidos desde 1º de agosto deste ano. Paralelamente, a população fica sem saber nem que dia o novo HRAS será inaugurado.

No Diário Oficial do Estado de ontem, foi publicado o Contrato de Gestão 003/Sespa/2018 informando que a Organização Social Pro Saúde (SP) receberá nada menos que R$ 661,2 milhões até julho de 2023 pela administração – pouco mais de R$ 11 milhões por mês. É o 11º hospital público entregue pela gestão do governador Simão Jatene (PSDB) à empresa paulista.

“Isso é um absurdo o que estão fazendo. Estão se desfazendo do gerenciamento público, terceirizando, pelas OSs, por falta de competência da gestão. Somos radicalmente contra a essa prática de entrega dos hospitais a empresas privadas”, critica um dos coordenadores gerais do Sindicato dos Trabalhadores em Saúde no Estado do Pará (Sindsaúde), Ribamar Santos. “A gente não entende porque essa política, só podemos achar que há algum interesse por trás. Porque virou cotidiano no Estado, tudo querem terceirizar, principalmente os grandes hospitais”, lamenta.

O sindicalista não vê vantagens ou melhorias no atendimento nos hospitais geridos por OSs, pelo contrário. Ele afirma que há restrições nos atendimentos, que na prática as unidades não estão “de portas abertas” a todos os pacientes porque o contrato garante apenas uma determinada quantidade de atendimentos. E se houver uma demanda maior que o previsto, simplesmente não é atendida.

“Posso dizer que a última vez em que uma OS administrou o Hospital Metropolitano [de Urgência e Emergência – HMUE], o devolveu completamente precarizado. Parece uma coisa direcionada, há um tratamento diferenciado aos terceirizados, no sentido de apoiar investimentos e reformas, e isso não ocorre com os demais, que acabam sucateados. E assim o Governo justifica a ‘necessidade’ de terceirização”, detalha Santos.

(Carol Menezes/Diário do Pará)