Eleições 2018: O grande Órfão e o Olho Gordo

6 de setembro de 2018 at 16:40

E o Campeonato Brasileiro do Poder vai começar oficialmente com o início do Horário Eleitoral Gratuito e, aqui no Pará, promete ser emocionante com certeza de segundo turno e grandes possibilidades do quadro pré-eleitoral, no mínimo, estremecer no decorrer do processo. Basicamente o embate inicial é o de manter a conjuntura atual, como uma garrafa térmica bem fechada, evitando ao máximo a transferência de “calor”, tarefa do time favorito, ou abrir esse vaso de Dewar o mais rápido possível, incumbência dos seus adversários. Como típico brasileiro atrevido, farei minha singela e desapaixonada análise dessa democrática competição, num precioso intervalo escolar, no meu saudoso tempo de criança, chamado de recreio.

O time grande, mais forte, é o do craque Helder Barbalho, mais famoso, treinando a muito tempo, experiente e, pasmem, até para muitos adversários é imbatível, já ganhou, tendo apenas que ter um metabolismo político forte e assimilar as pancadas, que serão muitas, para chegar ao título. Ora, se desde a Roma Antiga, antes de Cristo, o escritor Cícero já dizia que uma das receitas para ganhar eleições é a de levantar, contra seus adversários, suspeitas negativas, envolvendo crimes, vícios e corrupção, não precisa ser um grande técnico pra saber onde o time vai ser atacado. Então, faz a retranca, vai só de boa no contra-ataque e bora correr pro abraço, diria em alto e bom som um torcedor do gigante 15 do norte.

A otimista comissão técnica do PT de Paulo Rocha vê a possibilidade de crescimento, na esteira do debate presidencial, com a potencialização da candidatura de Fernando Hadad. Ora, se Lula conseguir transferir votos, mesmo por osmose, para seu candidato ao Planalto, é obvio que o mesmo ocorrerá para com os candidatos regionais, principalmente dos estados do Norte/Nordeste, onde o sapo barbudo trancafiado lidera as pesquisas de intenção de votos. Aí mano, se o time vermelho chegar na decisão contra Helder, leva vantagem, nem tanto pelo índice de rejeição, parecido com o do adversário, mas pelo palanque presidencial que terá, com Hadad, Ciro ou Marina; já o MDBista, além do ônus do golpista Michel Temer, estará órfão ou em casa de estranho, casa de tucano. Jogo duro, mas é nós, é 13 de Rocha, sussurraria sem alarde um petista.

O time de melhor hino (jingle), do 25 Márcio Miranda (vejam bem, não é 45), é o mais ansioso para entrar em campo – lê-se, horário eleitoral gratuito –, pois sendo desconhecido para uma significativa parcela do povo paraense, com uma razoável base eleitoral e tempo de televisão, tem a surpresa como aliada e a argumentativa do “novo”. A esperançosa comissão técnica diz na preleção:  – É claro que vamos crescer na tabela de classificação, pois temos o menor índice de rejeição, ficha limpa e, principalmente, podemos surfar nas boas ações do governo do padrinho “Simão”, sem absorver a rejeição do governador Jatene, pois somos Democratas. Agora, chegando na final contra o Helder, vamos ter o reforço do Alckmin presidente, enquanto o nosso adversário estará órfão, pois não será aceito no palanque de quem o chama de golpista, ou não será louco de se abraçar a Jair “Louco” Bolsonaro no segundo turno, hipótese essa cada vez mais remota com o avançar do debate eleitoral. Batalha de cachorro grande, mas por saúde e segurança, ganha o médico e militar.

Eras, se as análises dessa turma do olho gordo tiverem eira, o ex-ministro terá que jogar muita bola e não menosprezar nenhum reforço para evitar que dê zebra na final e, antes de mais nada, garantir sua vaga.

Já o pequeno, mas barulhento, time do Psol tá no campeonato pra ganhar cancha e acumular para a candidatura de Úrsula Vidal à prefeitura da capital, inclusive com boa possibilidade da bela e leve jornalista se eleger senadora da república na complexidade do segundo voto, mas isso é papo pra outo intervalo de recreio. Fui.

 PROFESSOR Elson Silva